Francisco Dantas

Há pouco tempo conheci o escritor sergipano Francisco Dantas, numa noite de autógrafos e muito recomendado por um amigo. Francisco Dantas nasceu em 1941 e foi professor de português durante 30 anos na Universidade Federal de Sergipe. Seu romance de estréia é “Coivara da Memória”(1991), no qual a personagem relembra momentos da sua infância e descreve detalhadamente aspectos da cultura e do ambiente nordestino.

 

 

Estações Havana

Recentemente Leonardo Padura esteve no Brasil, em novembro de 2016, quando foi lançada a caixa Estações Havana, pela Boitempo Editorial. A caixa é composta da reedição de quatro histórias “Passado Perfeito”, “Ventos de Quaresma” e “Máscaras” e mais a inédita tradução “Paisagem de Outono”.

Nessa mesma ocasião Leonardo Padura deu um curso intitulado “Para que se escreve um romance” no qual ele abordou aspectos históricos e estéticos da escrita desse gênero da literatura e falou das suas próprias peculiaridades ao criar os personagens de suas histórias.

Um dos autores tratados na ocasião desse curso foi Milan Kundera, na obra “A arte do romance”, publicado pela Companhia das Letras. Nesse libro no qual ele analisa aspectos do romance nos tempos modernos ele diz:

“Quando Deus deixava lentamente o lugar de onde tinha dirigido o universo e sua odem de valores, separa o bem e o mal e dera um senido a cada coisa, Dom Quixote saiu de sua casa e não teve mais condições de reconhecer o mundo. Este, na ausência do Juiz supremo, surgiu subitamente numa temível ambiguidade; a única Verdade divina se decompôs em centenas de verdades relativas que os homens dividiram entre si. Assim, o mundo dos tempos modernos nasceu e, com ele, o romance, sua imagem e modelo.
(…)
Compreender com Cervantes o mundo como ambiguidade, ter de enfrentar, em vez de uma só verdade absoluta, muitas verdades relativas que se contradizem (verdades incorporadas em egos imaginários chamados personagens), ter portanto como única certeza a sabedoria da incerteza, isso exige muita força”

É na incerteza e na ambiguidade que está a força e a importância do romance até nossos dias.