O livro no Brasil

O inglês Laurence Hallewell veio pela primeira vez ao Brasil na década de 1970, com uma bolsa do Itamarati, a fim de pesquisar a indústria editorial no Brasil. A partir dessa pesquisa realizou uma tese de doutorado,  a respeito da História do livro no Brasil.

Seu interesse pelo livro no Brasil surgiu ao ser convidado para criar uma coleção na Biblioteca da Universidade de Essex, Inglaterra, sobre a América Latina, entrando em contato com as publicações brasileiras. Hallewell tornou-se professor de Biblioteconomia na Universidade Federal da Paraíba e sua tese foi publicado pela EDUSP com o título “O livro no Brasil: sai história”.

Segundo Hallewell, “procurar conhecer uma nação por meio da produção editorial, é mais ou menos, o mesmo que julgar uma pessoa por sua caligrafia. Ambas constituem partes muito pequenas da atividade total de um país ou de uma pessoa, mas as duas podem ser muito reveladoras, pois nós somos como nos expressamos. Na verdade, é difícil imaginar uma atividade que envolva tantos aspectos da atividade nacional quanto a publicação de livros. O livro existe para dar expressão literária aos valores culturais e ideológicos. Seu aspecto gráfico é o encontro da estética com a tecnologia disponível. Sua produção requer a disponibilidade de certos produtos industriais. Sua venda constitui um processo comercial condicionado por fatores geográficos, econômicos, educacionais e políticos. E o todo proporciona uma excelente medida do grau de dependência ou independência do país, tanto do ponto de vista espiritual como do material”.

Kelmscott Press

Kelmscott Press foi uma editora de livros de William Morris – designer, escritor e ativista – criada em 1891 na cidade de Londres. Foi uma editora cultuada por editores e designers, pelos tipos de letras que criou, pelo design, pelo papel selecionado e pela preocupação com as ilustrações e decorações nas bordas dos livros. Ela funcionou até 1898 e fez parte do “Movimento das Arts e Ofícios (Arts and Crafts)”, que defendia a utilização do artesanato frente à intensa mecanização e industrialização que ocorria na Inglaterra nesse período.

Para Morris, os livros de seu tempo eram sintomáticos das deficiências da sociedade industrial moderna: eram feias, mal feitas e produzidas em massa. Sua visão para a Kelmscott voltou-se para os tradicionais manuscritos da Idade Média e dos primeiros livros impressos. Como resultado, os livros da Kelmscott Press pareciam ao mesmo tempo antiquários na aparência e uma encarnação da arte e do artesanato defendido através de seus projetos.