Kelmscott Press

Kelmscott Press foi uma editora de livros de William Morris – designer, escritor e ativista – criada em 1891 na cidade de Londres. Foi uma editora cultuada por editores e designers, pelos tipos de letras que criou, pelo design, pelo papel selecionado e pela preocupação com as ilustrações e decorações nas bordas dos livros. Ela funcionou até 1898 e fez parte do “Movimento das Arts e Ofícios (Arts and Crafts)”, que defendia a utilização do artesanato frente à intensa mecanização e industrialização que ocorria na Inglaterra nesse período.

Para Morris, os livros de seu tempo eram sintomáticos das deficiências da sociedade industrial moderna: eram feias, mal feitas e produzidas em massa. Sua visão para a Kelmscott voltou-se para os tradicionais manuscritos da Idade Média e dos primeiros livros impressos. Como resultado, os livros da Kelmscott Press pareciam ao mesmo tempo antiquários na aparência e uma encarnação da arte e do artesanato defendido através de seus projetos.

Mulheres Modernistas

A Cosac Naify lançou em 2007 a Coleção “Mulheres Modernistas”, com traduções das seguintes autoras: Karen Blixen, Virginia Woolf, Marguerite Duras, Gertrude Stein, Natalia Ginzburg, Katherine Mansfield e Flannery O?Connor. A Coleção toda é muito bem cuidada, desde a seleção dos títulos até as ilustrações das capas.

Um dos títulos que mais gosto é “Léxico Familiar” da escritora italiana Natalia Ginszbug (1916 – 1991). A autora publicou esse livro em 1963, em tom autobiográfico, no qual narra histórias que viveu com sua família, principalmente no período do fascismo italiano.

Sua escrita é intensamente sóbria, não há sobressaltos, mesmo quando narra momentos difíceis que ocorreram com seus irmãos, marido e pai durante e pós a segunda guerra mundial na Itália.

Natália Ginzburg em vários momentos relembra o léxico criado por seus pais, com expressões nascidas nas mais diversas circunstâncias familiares e que passam a constituir uma forma particular de comunicação através das quais toda a família se identifica.

Sobre “Léxico Familiar” Natalia comenta: “só escrevo o que recordava. Por isso, quem pretende ler esse livro como se fosse uma crônica, encontrará grandes lacunas. É que este livro, apesar de ter sido extraído da realidade, deve ser lido como se lê um romance.

Estações Havana

Recentemente Leonardo Padura esteve no Brasil, em novembro de 2016, quando foi lançada a caixa Estações Havana, pela Boitempo Editorial. A caixa é composta da reedição de quatro histórias “Passado Perfeito”, “Ventos de Quaresma” e “Máscaras” e mais a inédita tradução “Paisagem de Outono”.

Nessa mesma ocasião Leonardo Padura deu um curso intitulado “Para que se escreve um romance” no qual ele abordou aspectos históricos e estéticos da escrita desse gênero da literatura e falou das suas próprias peculiaridades ao criar os personagens de suas histórias.

Um dos autores tratados na ocasião desse curso foi Milan Kundera, na obra “A arte do romance”, publicado pela Companhia das Letras. Nesse libro no qual ele analisa aspectos do romance nos tempos modernos ele diz:

“Quando Deus deixava lentamente o lugar de onde tinha dirigido o universo e sua odem de valores, separa o bem e o mal e dera um senido a cada coisa, Dom Quixote saiu de sua casa e não teve mais condições de reconhecer o mundo. Este, na ausência do Juiz supremo, surgiu subitamente numa temível ambiguidade; a única Verdade divina se decompôs em centenas de verdades relativas que os homens dividiram entre si. Assim, o mundo dos tempos modernos nasceu e, com ele, o romance, sua imagem e modelo.
(…)
Compreender com Cervantes o mundo como ambiguidade, ter de enfrentar, em vez de uma só verdade absoluta, muitas verdades relativas que se contradizem (verdades incorporadas em egos imaginários chamados personagens), ter portanto como única certeza a sabedoria da incerteza, isso exige muita força”

É na incerteza e na ambiguidade que está a força e a importância do romance até nossos dias.