Quem matou Roland Barthes?

Em 25 de fevereiro de 1980,Roland Barthes ao sair de um almoço com o futuro presidente francês François Mitterrand, foi atropelado por um automóvel.  O acidente aconteceu quando atravessava a calçada em frente ao prédio onde lecionava, o Collège de France. Ficou no hospital por um mês, vindo a falecer aos 64 anos, no dia 26 de março de 1980.

A partir desse fato real, o escritor Roland Binet inicia sua ficção, parte desse acidente e cria uma história cujos personagens são a intelectualidade francesa da década de 1980. Na trama ficcional, após o atropelamento de Barthes surge a suspeita de que haveria um motivo para assassiná-lo e que, portanto, não teria sido um mero acidente mas algo premeditado. O detetive Jacques Bayard inicia uma busca para desvendar quem teria praticado esse crime, mas como não conhece nada do universo intelectual pede um auxílio para o jovem professor Simon Herzog, que o acompanha numa longa e rocambolesca investigação.

Quem matou Roland Barthes? é um livro para iniciados, para quem conhece um pouco da teoria semiológica, para quem leu Roland Barthes e teve contato com suas teorias sobre a linguagem e para quem já se embrenhou pelo universo intelectual francês.

Barthes era crítico literário, filósofo, escritor. Diziam que era solitário e melancólico. No mundo intelectual fez muitas amizades e inimizades. É nesse cenário que Binet cria sua trama, transformando o atropelamento de Barthes num caso de polícia. Ele elabora as falas e intrigas dos personagens a partir das teorias da linguística, entre elas, a de Roman Jakobson (1896-1982), que descreveu seis funções para os atos de comunicação: denotativa, emotiva, conotativa, fática, metalinguística e poética.

A suspeita a respeito das circunstâncias desse acidente é de que Barthes tenha sido assassinado por conta da recém criada sétima função da linguagem. Nessa função a fala ou a linguagem seria capaz de promover a ação direta do outro. A sétima função, motivo do crime, levaria a quem tivesse seu domínio a ser dono do mundo. “Sua força não teria nenhum limite. Poderia ser eleito em todas as eleições, arregimentar as massas, provocar revoluções, seduzir todas as mulheres, vender todos os produtos inimagináveis, construir impérios, fazer falcatruas com a terra inteira, obter tudo o que quisesse em qualquer circunstância” (P.212).

Durante a investigação são interrogados Foucault, Deleuze, Althusser, Umberto Eco, entre muitos outros intelectuais que estavam no auge de suas carreiras na década de 1980. Há cenas e falas muito inusitadas e engraçadas, que nos levam para esse universo dos filósofos, linguístas e historiadores da França de 1980.

 

 

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s