O Leitor como Metáfora

“Somos criaturas leitoras, ingerimos palavras, sabemos que as palavras são nosso meio de estar no mundo, e é através das palavras que identificamos nossa realidade e por meio de palavras somos, nós mesmos, identificados.” (Alberto Manguel)

Nos últimos anos surgiram muitos questionamentos a respeito do futuro da leitura. Com o avanço das tecnologias digitais, o livro impresso tornou-se objeto a ser preservado diante do risco de sua substituição pelas mídias eletrônicas. Com o desaparecimento do livro, a leitura também se viu em xeque, não teríamos mais a capacidade de nos determos em textos longos.

Entretanto, mesmo com o aparecimento dos e-readers, tablets e demais suportes de leitura, o livro impresso continua sobrevivendo e ainda sendo o suporte preferido dos leitores.

Alberto Manguel, ensaísta e tradutor argentino, escreveu um pequeno livro com reflexões sobre o leitor de livros. Ele discorre a respeito de três metáforas utilizadas como referências aos leitores: a viagem, a torre e a traça. A partir dessas metáforas, Manguel faz um percurso histórico, pela filosofia e literatura, apontando como diversos autores abordaram em suas ideias e obras a questão do leitor.

Na Divina Comédia, Dante Alighieri convida seus leitores a companhá-lo em sua viagem, e são transformados pelo ato da leitura em personagens e companheiros de aventura do autor. Em Hamlet, Shakespeare coloca seus leitores diante do dilema entre o pensamento e a ação, entre confiar nos livros ou na realidade. E por fim, O Louco dos Livros, representado pelo Dom Quixote, de Miguel de Cervantes, personagem que de tanto ler romances de cavalaria perdeu-se num mundo de aventuras imaginárias.

Resultado de imagem para dom quixote goya   Francisco de Goya. Don Quijote de la Mancha

Essas são apenas algumas das referências sobre o ato da leitura que Manguel explora no seu texto. Como leitores, ora nos identificamos, ora nos distanciamos da viagem, da torre e da traça. Mas nos deliciamos com as palavras tão bem escritas a respeito desse milenar “ofício da leitura”.

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