Ler Proust

Há alguns dias comentei com uma senhora que estava lendo “Em busca do tempo perdido” de Marcel Proust e que minha intenção é ler toda a obra. Na verdade, já estou no final segundo volume que se chama “À sombra das raparigas em flor”.

Ela me olhou com cara de espanto, e disse-me que ela leu essa obra muito jovem que sempre se surpreendia com alguém com mais de 40 anos que ainda não tivesse lido. Ela falou isso com um ar um tanto esnobe.

Fiquei quieta! Mas lembrei de uma história ocorrida quando estava na universidade. Um professor, que por sinal era maravilhoso, entrou na sala e perguntou: “Quem aqui nunca leu Dostoiévski?” Alguns alunos, muito encabulados por nunca terem aberto um livro desse clássico autor russo, levantaram a mão, certos de que iriam ser humilhados por essa falta literária. Mas o professor, olhou bem para eles, e calorosamente afirmou: “Invejo muito vocês, só vocês terão o imenso prazer de ler um Dostoiévski pela primeira vez”.

Os alunos ficaram aliviadíssimos e por demais inspirados em ler pela primeira vez tal autor.

Pois é, eu recentemente tive esse prazer da primeira leitura, não foi com Dostoiévski, mas foi com Proust. Não é russo, mas francês. E digo que o prazer foi e está sendo enorme. E acho que somente agora estava pronta para ler “Em busca do tempo perdido”. Acho que não era um livro que eu apreciaria tanto na minha juventude. Ainda bem que não li antes, só agora consigo desfrutar das histórias, paisagens e personagens descritos por Proust.

Que bom bom poder ler um livro pela primeira vez! Que bom poder se encantar com uma leitura!

 

Um comentário sobre “Ler Proust

  1. Seu texto vem bem de encontro com o que penso a respeito de determinados autores. Acredito que tenha idade ou maturidade necessárias para se ler Dostóievski, Proust ou Machado, por exemplo. Lembro de ter lido Dom Casmurro na época da escola e eu não via o sentido daquela leitura, não entendia, assim como O cortiço. Hoje, com 34 anos, Machado faz todo sentido pra mim. Reli O Cortiço pra matéria da faculdade e também fez sentido. Acredito que precisamos rever a forma de se trabalhar os clássicos na escola.

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